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domingo, 16 de outubro de 2011

Meu eu com você

A campainha do lado de fora sooa. Grito : - Ja vou .
Corro pela milésima vez para o espelho checando se estava tudo de acordo com aquela noite. Eu precisava estar perfeita para ele.
Pego minha bolsa e abro a porta o mais natural possivel, tentando camuflar o coração disparado que se escondia por debaixo do meu vestido.
- Boa noite. - Ele sorri timidamente. Minhas pernas fraquejam um pouco, de repente ele ali tão perto de mim se torna surreal.
-Boa noite. - Respondo com um sorriso aberto. Se ele desejava ser o motivo da minha felicidade, ele já tinha começado com o pé direito.
A vontade que tinha era de abraça-lo ali mesmo na porta da minha casa, me certificando que ele realmente estava ali, respirando o mesmo ar que eu. Me contive.
Fecho a porta, enquanto ele me espera em total silêncio. E aquilo estranhamente me incomodou, já que nossas conversas costumavam ser tão fartas, e a ausência de sua voz me inquietava. Então procuro puxar conversa.
-E então como foi a viagem?
-Maravilhosa! Nem senti muito o voo, dormi a viagem toda e apesar de estar inclinado com a ansiedade não deixei que ela me vencesse.
O costume de não dar o braço a torçer estava ali explicito em suas palavras, exatamente como eu já deduzira. Sorrio com essa observação em pensamento.
Ele abre o carro e sentamos no banco, ele pareceu ter ficado curioso com meu sorriso inesperado. E então pergunta:
-Eu sei que você diz que sou engraçado, mas me ajuda a encontrar a piada? - seu comentario sai leve, descontrai.
-Não direi. Essa é a graça de sair comigo. Sempre fica um mistério no ar.
Um sorriso sedutor escapa de meus lábios sem permissão.
-Tudo bem contenho minha curiosidade, contanto que eu possa observar seu sorriso a noite inteira.
As bochechas começam a esquentar, e tentando esconder minha fraqueza olho para fora do carro. Sagaz ele percebe, mas não diz nada.
-Então, onde vamos? - ele pergunta quebrando o clima que ele mesmo criara.
-Você decide. - O fito rapidamente mas logo retorno meu olhar para fora do carro. Os seus olhos verdes tinham um brilho especial que era dificil resistir se ficasse os observando por muito tempo.
-Tudo bem. Já tenho uma surpresa para você.
"Uau, adoro surpresas!" falo em pensamento e sorrio sem que ele perceba.
No caminho nossa conversa fluiu espontânea, agradável, aquele tipo de diálogo que se perde a noção do tempo. Nossas vozes se misturavam algumas vezes como se fossem uma só, nossos olhares se cruzavam algumas vezes, apesar dele sempre manter o seu fixo em mim, eu sempre achava uma maneira de desvia-lo, não porque era a minha verdadeira vontade, mas era uma forma de precaução que eu estaria parcialmente "salva" de seu olhar convidativo.
Quando chegamos no lugar ele tira um pequeno lenço do porta-luvas. Sem entender olho assustada para ele.
-Calma, não vou te raptar. . . - Então ele dá uma pausa sugestiva. - Claro, ao menos que você peça.
Um sorriso extremamente charomoso escapa por seus lábios vermelhos, que estavam ainda masi evidentes pelo frio do ar-condicionado.
-Tudo bem, confio em você.
Apesar da bolha protetora que criara por tantos anos (aquela que segundo mes ideais me deixaria imune da dor, da desilusão e do sofrimento), estranhamente eu acreditava nele, e pela primeira vez não tive medo que a bolha estourasse, queria sofrer os riscos, se esse seria o preço da busca por minha felicidade, eu estava disposta a pagar.
Então ele me da um beijo na testa, o primeiro contato que tivemos aquela noite, e venda meus olhos.
Ele me guia cuidadosamente, não tinha a minima ideia do que estava por vir, mas estava ansiosa para descobrir.
-Pronto.
Ele desvenda meus olhos.
 Um parque surge na minha frente (ele escolhera o lugar menos movimentado e o que estava mais privilegiado pelas estrelas), ele estende um pano vermelho sobre a grama bem cuidada, e senta sem fleuma.
Aquilo poderia ser simples, mas perto dele tudo parecia estar completo.
Ele estende sua mão para que eu me juntasse, me convidando com um daqueles sorrisos que te deixam sem chão.
Sento ao seu lado. Me ajeitando para ficar em uma posição confortável.
- Nossa, eu nunca imaginaria que você me traria para um lugar assim. - falo ainda surpresa.
-Existem muitas coisas sobre mim que você nunca imaginaria. Por isso que estou aqui, quero compartilhar o meu eu com você.
Seus olhos continuavam fixos em mim, e dessa vez não me incomodou. Então pela primeira vez correspondo, seus traços pareciam ainda melhores de perto. Ele era perfeito refletido nos meus olhos.
Nossas mãos se entrelaçam, apesar da diferença de tamanho elas se encaixam perfeitamente. Aquela conexidade era muito forte, chegava até a ser assustadora.
-Depois de tanto tempo, ter você assim tão perto parece até improvavel, um daqueles inúmeros sonhos que o tinha só para mim e quando acordava continuava sozinha. -relembro as noites frias em que o desejava tê-lo do meu lado, mas que o meu querer era impossivel de ser concretizado, aquela agonia me invadiu e me trouxe à tona. A bolha protetora voltara sem permissão. - Isso é real, certo?
Um sorriso genuíno escapa por seus lados, pelo meu comentário tolo.
-Tão real como meu amor por você.
As mãos ali encaixadas se desatam, apenas para que a conexidade se tornasse ainda mais próxima. Nossos corpos se aproximam como dois imãs, ele acaricia minha face, enquanto seu olhar me arrebata para um mundo criado por nós dois. Nossos lábios se aproximam e pocuram traduzir entre si aquilo que se passava por dentro, mas que parecia se inexpremível por meras palavras. Porque nosso reatsu era sobrenatural.
Tudo parecia tão mágico, como se não pertecesse ao mundo real, um fragmento daquilo que eu sempre idealizara como o perfeito. Ambos sabiamos que nem sempre tudo seria tão fácil como aquela noite, mas também tinhamos dentro de si, que enquanto estivemos juntos, ele fosse parte de mim e eu dele, tudo daria certo.
                                                                                                                                                                                                                Juliana Santiago.
(Encontre esse e outros contos no meu blog: jmsdramaqueen.blogspot.com ;**

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O amor não vive somente de lembranças


Os passos se tornavam cada vez mais intensos dentro daquela viela deserta, a sombra refletia assustadoramente na parede, como se até ela pudesse me agredir. Estava perdida, as suas palavras ainda latejavam em meus ouvidos, e iam crescendo, me dando uma súbita vontade de gritar, como se a minha voz pudesse expulsar os fantasmas do medo que acarretavam a minha vontade de continuar caminhando, seguindo em frente, longe de você. Apesar daquela dor que fincava ainda mais meu peito a cada pensamento do que vivemos juntos, dos afagos no meio da noite em que nossos corpos se entrelaçavam, das vezes em que ouvi sua gargalhada me retirar dos dias tenebrosos, do modo em que a gente fazia as pazes depois de uma discussão, do eu te amo que você silabou de forma tão sincera e maravilhosa que fez com que minha vida inteira tivesse valido à pena.
"Mas ninguém vive de lembranças, eu vivo do que sinto hoje, e o meu hoje não é mais você". As suas palavras ainda mantinha a minha razão em pé, mas sempre o sentimento vence. É inevitável.
Presenciar o afeto que antes era dedicado a mim para outra pessoa era muito torturante, fiquei ali em pé sem ação, saindo do seu apartamento com os pés quase que não sentindo o chão, era como se um terremoto estivesse sendo sentido apenas por mim, os cacos do nosso retrato ainda estava lá despedaçado no chão, retratando o que você fez com meu coração.
O escuro da viela me fazia bem, porque assim ninguém presenciava a minha fraqueza. Mas será fraqueza amar alguém? Se fosse eu estava terminantemente fraca e indefesa, porque eu amo você, mas lutaria com o resto de força que existia em mim, para que isso terminasse, e que enfim eu pudesse ser feliz, porque como você disse ninguém vive de lembranças, nem meu amor por você.

Juliana Santiago

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Mudar para ser aceita?


  Cabelos cacheados, um senso de humor imbátivel, quilinhos a mais, desastrada, esperta, não era a destaque da turma, mas fazia o suficiente para passar de ano, boa filha, péssima bajuladora, era assim transparente e verdadeira.
  Gisela era diferente, não pela sua beleza excepcional, mas pelo seu carisma, seu caráter, não era rica, mas tinha o maior dos tesouros: pessoas que amavam-a do jeito que ela era. Mas uma pessoa, foi suficiente para ela abandonar tudo isso, ela decidiu mudar.
  Cabelos lisos, esnobe,corpo atlético, perfeccionista, subia na costas dos outros, péssimo filho, ótimo bjulador, era assim falso e superflúo.
  E foi justamente ele, Gustavo, totalmente o oposto dela, que seu coração decidiu bater mais forte, ele a esnobava, a humilhava, mas seu coração apaixonado relevava tudo, mas porque ele? Tem coisas que ninguém tem respostas, mistérios do coraçao.
  Entrou na academia, enxugou os quilinhos a mais, jogou fora as calças largadas e trocou por roupas de grife, seus antigos amigos já não serviam mais “estragavam sua imagem”, dispensou a amizade verdadeira, escolheu a falsa. Gisela melhorou de forma, de auto-estima, mas tambem mudou aquilo que a fazia diferente, se tornou igual as outras, superficial.
  Gustavo a aceitou, agora ela podia andar ao seu lado “sem causar mico”, ele a queria por perto apenas quando tinha vontade, mas a deixava de lado, ela era acostumada a sentimentos verdadeiros, derramou muitas lágrimas com sentimentos frios e forçados. Seus novos amigos, só falam coisas fúteis, ela que sempre foi uma péssima bajuladora, escutava calada, apesar de tudo ter mudado, ela sentia que algo foi tomado dela, sentia falta da sua ex vida.
  Resolveu voltar atrás, procurou seus antigos amigos, estavam muito feridos pela traição, mas a aceitaram de volta, até porque quem ama perdoa. Voltou com suas calças básicas (agora bem mais enxuta), se ajeitou, mas percebeu que não precisava mudar quem ela era para agradar os outros, a ditadura da moda, não faria seus amigos, e  muito menos sua felicidade.

(história fictícia)

                                                                             Juliana Santiago

sábado, 2 de julho de 2011

Uma chave, dois caminhos.


Sinto como se tivesse uma chave que levasse a dois caminhos. Um ao paraíso, e o outro à destruição, como se fosse a conseqüência que você terá que levar por ter se apaixonado por mim, por estar em minhas mãos.

Seu reflexo discute em seu ser quem era ela, porque às vezes ela se sentia perdida, como se sua identidade estivesse sendo roubada a cada segundo que ela ocupava um lugar nesse mundo, por isso que ela tentava deixar um pouco de sua imagem nas cabeça das pessoas, conquistá-las e tomar o lugar mais seguro e intimo que alguém pode ter: o coração, para que fragmentos dela fossem deixados, uma garantia que ela não se perdesse, e se ela assim fizesse as pessoas saberiam retorná-la para o lugar, esse era o pretexto por detrás de suas ações, mas no fundo ela sabia que era puro ego, egoísmo.
Ela sabia como seduzir, encantar alguém, e ela gostava de se sentir assim, tão poderosa, tão atrativa.  Se sentia realizada por tal poder, mas às vezes se sentia culpada, por machucar corações que eram dedicados à ela, tal fardo que teria que levar por toda a vida.
Seu rosto impecável que atrai tanto olhares, mas que ali refletido naquele espelho era vazio, insípido e manchado pelos sentimentos sinceros que foi capaz de construir e destruir com a mesma facilidade.
Por vezes queria sentir que ainda existia um coração que pulsava em seu corpo, que se importava com as pessoas além de si mesma, ela se iludia que tinha.

Juliana Santiago

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Você nunca estará só

- Ei mamãe acorda!
O pequeno Luís balançava sua mãe de um lado para o outro, pensando que a qualquer instante ela abriria os olhos o jogaria no ar e ririam juntos, como tantas vezes fizeram.
Nenhum sinal.
-Mãe! Mãe!
Ele começava a ficar preocupado, seu pequeno coração de um menino de oito anos, não entendia bem o que se passava, só via os adultos correndo de um lado para o outro, falando no celular, chorando, ele queria entender!
-Ela faleceu. Não faz muito tempo, estamos esperando a ambulância, o IML. Tudo bem, te aguardo, tchau.
Ele escutou seu tio ao celular, ele era pequeno mais ligou tudo na sua cabeça. Sabia que sua mãe estava doente, mas sempre que ele perguntava dela, ela respondia para que ele não se preocupasse que tudo ficaria bem.
E tudo estava bem?
Ele então entende. Não a balança mais, não fala, não grita, não reage. Apenas deita sua cabeça sobre seu peito e deixa que as lágrimas quentes percorressem seu corpo gélido.
Lembrou de uma conversa que ele tivera com ela, meses atrás. Quando ele subitamente perguntou:
-Mamãe, todo mundo tem um pai, cadê o meu?
-Eu já te expliquei filho, eu não sei onde ele esta, partiu quando você ainda era bebê.
Ele a abraça fortemente, como se nunca fosse deixa-la escapar.
-Eu só tenho você, não deixa eu ficar só.
-Você tem do seu lado o maior grandioso ser Jesus Cristo, mesmo que ninguém esteja por perto Ele sempre estará.
-Precisamos retira-lá. – seu tio fala subitamente, esquecendo da presença do menino, ele tinha se tornado insignificante no meio daquela confusão.
Ele vê as pessoas carregando sua mãe, levando-a para longe dele, sua dor era tão grande que ele não sabia exprimi-lá, apenas as lagrimas eram sua reação.
Alguém o abraça, de repente ele sente um calor, um consolo.
-Não se preocupe filho, você nunca estará só.
Ele não conhecia aquela voz, mas era tão familiar.
O ser o larga, ele olha para tentar reconhecer, vê apenas olhos azuis muito intensos abertos para ele, com um amor irrefreável, ele nunca tinha se sentido tão importante.
Sua tia o chama, ele olha para o lado, e vira novamente, não podia perder aquele olhar voltado para ele.
Sumiu. Ele procura em todos os lugares possíveis mas não encontra aquele ser. Ele sorri, e entende que sua mãe estava certa, ele nunca ficaria sozinho afinal.

                                                                                            Juliana Santiago

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Aprendendo a amar - Parte Final

(...)


Com o coração apaixonado Lucia queria estar todo tempo possível perto de seu amado, porém ela tentava não demonstrar essa vontade irrefreável. Ela o convidou para ir ao cinema, apesar de já ter visto todos os filmes em cartaz, ela só usava como um pretexto para tê-lo por perto, mas ele dissera que tinha trabalhos da escola atrasados, então ela se prontifica a ajuda-lo, porém ele diz que ela só o atrapalharia ainda mais.

Com a escusa, e o coração ferido pela rejeição ela aceita o convite de sua amiga para dar uma volta, afinal se ela ficasse em casa, a dor só se tornaria ainda mais insuportável. De repente enquanto ela anda distraída olhando as vitrines, sua amiga cutuca ela e pede para que ela olhe para o lado.

Seu coração salta, suas pernas enfraquecem, seus olhos não admitem presenciar aquela cena, Gabriel vinha em sua direção, mas dessa vez não vinha à seu encontro, os olhos de Lucia se direcionam as mãos entrelaçadas dele e de uma garota. Ele se assusta a vê-la parada ali, desmascarando sua falta de caráter, ela procura se manter forte mas as lágrimas rolam espessas por entre sua face, tudo que ela vivera até ali, o coração acelerado, a sensação de tudo estar completo, caiu como se o vale repleto de flores, estivesse sendo engolido por um grande precipício em que suas mãos não eram capazes de alcançar.

Ela recolhe sua dor, que parecia estar corroendo todo o seu ser. Ele estagna e não da mais nenhum passo, com os olhos cheios de lágrima ela se despede dele, e vira as costas correndo desesperada pelo corredor, ela procurava encontrar uma saída, uma fuga para aquele pesadelo, mas ela sabia que nenhum lugar seria capaz de amenizar sua dor, em sua inocência ela esperava que ele viesse à sua procura e tentasse consertar seus erros, mas ele não veio.

A única coisa que ela escutava eram os ecos do grito abafado pela tristeza de sua amiga, mas ela já estava distante, procurando respostas para as perguntas que acabara de se levantar. Demoraria um tempo para que Lucia olhasse para trás e essa lembrança não a machucasse mais, demoraria um tempo até que ela entendesse que no amor sempre tem algo a aprender e quando pensamos que desvendamos todos os seus mistérios as surpresas vem à tona.

“Não importa o quanto você tentou e deu errado, o quanto confiou e quebrou a cara. Quantas vezes você deu viagem perdida, não importa  se você teve que andar na chuva, muito menos as vezes que seu coração foi partido.
As coisas simplesmente acontecem! O importante é não se arrepender de nada, viver cada dia, arriscar e ter certeza que para cada lágrima que você derrama hoje, são duas gargalhadas de respirar o ar amanhã!
Algumas pessoas vão te amar pelo que você é, e outras te odiar pelo mesmo motivo...
Acostume-se a vida é assim mesmo! Mas nunca desista de ser feliz.”
  
                                                                                                                Juliana Santiago
Juliana Santiago

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Aprendendo a amar- parte III

(...)

Tudo ao seu redor parecia estar diferente. Sua alma se regozijava em uma alegria indescritível, a sensação de paz e preenchimento parecia dar forma a vida que até hoje parecia estar ausente de qualquer curva geométrica. Tudo mudara, mas Lúcia não sabia que aquele não era o fim, mas o começo das suas lições.
No dia do “encontro” ela estava exultante, passou dias planejando a roupa que  usaria, o cabelo, a maquiagem, tudo para estar impecável, as elaborações de fala também eram comuns.
Ele a esperava perto da fila do cinema, quando ela o mirou tudo parecia ter ficado bem, a apreensão caiu por terra, e a sensação de paz veio à tona, apesar do nervosismo culminante.
-Oi. – ele responde com um sorriso brilhante, cumprimentando-a com um beijo no rosto.
-Oi. – ela cora com essa simples saudação, ele nem elogia todo o trabalho que Lúcia tivera para parecer perfeita, mas ela procura não se abalar com isso.
-Que filme você quer ver? – ele pergunta.
-Estreou um agora, “memórias de uma vida eterna”, me disseram que é muito bom!
Ele parece nem dar ouvidos a sua opinião, e olha para o grande cartaz que se estendia a sua frente.
-Adoro filme de terror, vamos ver “Os mortos renascidos”. Tudo bem para você?
Ela aceno positivamente, sabia que sua resposta não valeria nada.
Compraram os ingressos e entraram na sala escura. Ela odiava filme de terror, mas para não desapontá-lo aguentou cada minuto de tortura.
Quando saíra do cinema ele só falava do quanto o filme era emocionante, ela sorria fingindo estar interessada pelo assunto mas a verdade é que não estava nem um pouco empolgada, e quando finalmente mudaram de assunto ele só falava sobre ele mesmo, como se o mundo girasse ao seu redor.
Quando ela pensei que o fiasco do encontro não tinha salvação tudo pareceu ter mudado. Sentados em um banco em uma parte pouco movimentada do shopping. Ele a olhou, segurou sua nuca e a beijou. Aquele toque que fez seu coração ressaltar e enterrar todos os aborrecimentos.
Depois daquele dia, pareciam ainda mais próximos e ela cada vez mais apaixonada, não sabia que precisava controlar seus sentimentos, para que eles não a controlassem.
Só havia pequenos incômodos, quando estavam a sós, tudo era perfeito mas quando estavam em público ele a evitava, isso a machucava, mas ela desprezava com medo de perdê-lo.
(...)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Aprendendo a amar - Parte 2

O seu sonho se idealizara, não da forma que tantas vezes havia passado em sua mente fértil, mas só de estar ao seu lado, ela se sentia totalmente completa, como se sua presença fizesse sua vida valer à pena, estranho essa sensação de dependência que se passava em seu interior, mas ela não se importava, tentava ignorar se concentrando apenas no presente, aquele momento em que para ela se tornava mágico como se aquelas cenas de romance que ela via em todos os lugares estivesse aconteçendo com ela.
-Oi.- ele fala ao sentar ao seu lado, aquelas duas letras coraram suas têmporas alvas.
-Olá.- ela responde timida com a cabeça baixa.
-Tem alguma ideia de como começar? 
Aquela era sua matéria preferida, mas de repente tudo sumiu de sua mente, ficou confuso. Ela levanta timidamente o olhar e fica de encontro ao seu, te-lô tão perto retirava todas as suas defesas, ela não consegue manter o olhar fixo por muito tempo e logo abaixa vacilando a pose confiante que tantas vezes ela treinara no espelho.
O tempo de aula passou, eles discutiram ideias, dividiram os assuntos, mas a maior parte do tempo ela apenas balançava a cabeça confirmando porque seu pensamento estava direcionado a apenas num ponto, com fantasias e pensamentos ilusionários, mas que ela pensava que poderiam se tornar real, já que a sorte parecia estar ao seu lado. 
O sino toca, ele se levanta, menciona ir embora, ela não poderia deixar a oportunidade escapar por suas mãos, então compulsivamente fala uma palavra, sem pensar no que falaria depois:
-Gabriel!
Ele vira, e para esperando o resto.
-Hãm... - ela procura elaborar algo útil para falar. - Você quer ir qualquer dia desses para o cinema? Estreiou um filme ótimo...
Ele hesita, ela espera ansiosa sua resposta.
-Tudo bem, a gente pode ir, só marcar.
Ela sorri exultante, dessa vez não consegue disfarçar. Ele sorri se divertindo de como ela ficava perto de sua presença, seu ego inflava.
-Então tá, até mais.
Ele sai em direção a porta, ela tenta voltar ao chão, aquela sensação que se infiltrava em seu peito, causava um sentimento novo, entusiasmante, como se quisesse pulasse de seu ser, e ela segurasse para se manter ali, junto a ela.

(continua..)                                                                                   Juliana Santiago

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Tique-Taque



Os ponteiros não saem do lugar, o tempo parou. O tique-taque de cada segundo só aumenta a minha apreensão, o tempo esta passando e eu estou perdendo o presente  tentando imaginar o futuro.
Ele não vai voltar. Então porque eu teimo em me iludir, e pensar que com algumas horas a realidade será outra?
Os afagos, os toques, os suspiros, e a ilusão de que seria feliz iam embora junto com ele, mas uma vez tudo fugia de minha mão, eu dizia adeus, e a verdade era dolorosa. Toda noite eu sentia meu anjo chorar, sonhando em um dia voltar para as minhas mãos, com ele eu me sentia no paraíso, mas como sou estúpida, o amor se foi, nos éramos tão bons juntos. Porque você teve que dizer adeus?
A verdade é que eu preciso de você, volte e traga meu sorriso, me faça viva novamente.

                                                                                                             Juliana Santiago

p.s: Queridos leitores, peço perdão por não estar postando de maneira tão constante como queria e nem visitando sempre, a manha vida tá muito corrida, e para completar estou sem net em casa --' mas prometo que farei esforço para sempre estar por aqui. Estava cm saudades. bjus a todos :*

terça-feira, 19 de abril de 2011

- Ei mamãe acorda!
O pequeno Luís balançava sua mãe de um lado para o outro, pensando que a qualquer instante ela abriria os olhos o jogaria no ar e ririam juntos, como tantas vezes fizeram.
Nenhum sinal.
-Mãe! Mãe!
Ele começava a ficar preocupado, seu pequeno coração de um menino de oito anos, não entendia bem o que se passava, só via os adultos correndo de um lado para o outro, falando no celular, chorando, ele queria entender!
-Ela faleceu. Não faz muito tempo, estamos esperando a ambulância, o IML. Tudo bem, te aguardo, tchau.
Ele escutou seu tio ao celular, ele era pequeno mais ligou tudo na sua cabeça. Sabia que sua mãe estava doente, mas sempre que ele perguntava dela, ela respondia para que ele não se preocupasse que tudo ficaria bem.
E tudo estava bem?
Ele então entende. Não balança-a mais, não fala, não grita, não reage. Apenas deita sua cabeça sobre seu peito e deixa que as lágrimas quentes percorressem seu corpo gélido.
Lembrou de uma conversa que ele tivera com ele, meses atrás. Quando ele subitamente perguntou:
-Mamãe, todo mundo tem um pai, cadê o meu?
-Eu já te expliquei filho, eu não sei onde ele esta, partiu quando você ainda era bebê.
Ele a abraça fortemente, como se nunca fosse deixa-la escapar.
-Eu só tenho você, não deixa eu ficar so.
-Você tem do seu lado o maior grandioso ser: Jesus Cristo, mesmo que ninguém esteja por perto Ele sempre estará.
-Precisamos retira-lá. – seu tio fala subitamente, esquecendo da presença do menino, ele tinha se tornado insignificante no meio daquela confusão.
Ele vê as pessoas carregando sua mae, levando-a para longe dele, sua dor era tão grande que ele não sabia exprimi-lá, apenas as lagrimas eram sua reação.
Alguem o abraça, de repente ele sente um calor, um consolo.
-Não se preocupe filho, você nunca estará só.
Ele não conhecia aquela voz, mas era tão familiar.
O ser o larga, ele olha para tentar reconhecer, vê apenas ohos azuis muito intensos abertos para ele, com um amor irrefreável, ele nunca tinha se sentido tão importante.
Sua tia o chama, ele olha para o lado, e vira novamente, não podia perder aquele olhar voltado para ele.
Sumiu. Ele procura em todos os lugares possíveis mas não encontra aquele ser. Ele sorri, e entende que sua mãe estava certa, ele nunca ficaria sozinho afinal.

                                                                                     Juliana Santiago

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ela. Tão perfeita, tão singela e tão megera.

  (...)

-Oi.
Apesar da maestria de falar com pessoas, com ela tudo se resumia a palavras engatadas e tímidas.
-Oi.
Ela vira com um sorriso que tira toda as minhas defesas, eu tinha prometido que agiria diferente, mas como controlar meus sentidos involuntários?
-Eu acho que conheço você.
Seus olhos curiosos vasculhavam minha face e meu corpo atlético buscando vestígios de meu passado, eu conhecia aquele interesse no olhar, percebo que se encaixava igualmente a todas espécies femininas.
-Sim. Sou Robert Moraes, o cara do carro...
-Oh Meu Deus! Você esta fantástico! Parece outra pessoa! Se não fosse suas expressões nunca reconheceria você.
-Obrigado, você também esta ótima!
Eu não estava mentindo.
-O que anda fazendo?
-Eu? Bom depois que sai do colégio fui para o exterior fazer faculdade de gás e petróleo e realizar algumas pesquisas e projetos. Depois do meu doutorado fui chamado para assumir a maior sede brasileira da Petrobrás e bem, aqui estou eu relembrando os velho tempos. E você?
-UAU!- ela fala impressionada. – Eu fiz faculdade de jornalismo e trabalho em um jornal local, nas maiores manchetes.
Seu tom saiu meio baixo, como se tivesse envergonhada perante o meu trabalho.
-Legal! É estranho lembrar do dia em que fui falar com você, tudo poderia ter sido diferente...
A vingança ainda estava ali presente, eu não consegui deixá-la presa a noite inteira. Seu rosto fica vermelho de vergonha, ela tampa o rosto encobrindo-o.
-É, eu sei. Eu nunca tive chance de te pedir perdão, eu era adolescente só não queria ser zoada sabe? Eu sempre te achei um bom garoto, e não queria te machucar. Me desculpa?
-Tudo bem. Eu te entendo, você não queria ser vista como alguém como eu...
-Mas olhe para você agora, está maravilhoso, com uma carreira esplêndida, deve estar com um família linda...
-Estou solteiro.
Interrompo seu discurso eufórico para que ela soubesse de minha disponibilidade emocional. Ela sorri, eu reconheço como um passo para prosseguir.
-Agora que nos reencontramos podemos jantar qualquer dia desses, conheço um bistrô ótimo que inaugurou...
-Esses salgadinhos estão ótimos querida.
Um homem alto chega sorridente perto de Mariana, não percebendo sua interrupção.
-Robert esse é meu marido Mike. Mike esse é um velho amigo de escola Robert.
Ela apresenta os dois de maneira desconcertada, depois de apertar as longas mãos de Mike, abraço Mariana me despedindo dela, possivelmente para sempre.
Os pingos furiosos tocavam fortemente no vidro de meu carro embaçando a visão da estrada. Relembro o sorriso de Mike ao ver Mariana, ela não tem mestrado, nem doutorado, não apareceu em uma revista científica, mas era alguém para compartilhar suas pequenas vitórias, alguém com quem confortar em suas derrotas.
Não estou dizendo que vencer na vida é ruim, pelo contrário! Mas é preciso ter equilíbrio e priorizar as coisas, porque um dia tudo passa e a única coisa que irá restar são os laços que foram plantados ao decorrer da vida, e quais eu plantei e reguei para hoje colher frutos?
De certa forma agradeço a ignorância de uma bela adolescente, ela me deu impulso para mudar, para vencer. Eu estava certo, não precisava provar nada a ninguém, apenas a mim mesmo, porque se eu acredito em mim, as outras pessoas o farão. Eu sou o espelho de como me vêem, eu formo a minha imagem para o mundo, apenas eu e mais ninguém.

“Aprendi que a vida é uma equação, tudo que eu conquisto é a formula, mas o verdadeiro resultado é quem esta do meu lado nesse meio tempo”
                                                 
Juliana Santiago

sábado, 2 de abril de 2011

Ela. Tão perfeita, tão singela e tão megera. - Parte 2

                       (...)
Dez anos haviam se passado desde a ultima vez que vi Mariana, a garota na qual eu fui extremamente apaixonado, mas que cuspiu em meu rosto, as horas longe de festas e “sociais” eram um passo a dentro de meus objetivos, eu não importava com todas as palavras pejorativas que a mim eram lançadas, eu sabia que em seguida seria recompensado dez vezes mais.
-Sr. Robert. Você tem uma reunião daqui a dez minutos com uns investidores.
-Obrigada Rita. - por curiosidade, ela é minha assistente. - Pode me informar o assunto que será tratado, por favor?
-É sobre a nova fonte de biodiesel e os retornos que trarão para a nossa empresa.
Aceno com a minha cabeça, era o sinal para que ela saísse. Por via das dúvidas, sou o presidente de uma das maiores filiais da Petrobrás, com pesquisas inovadoras e descobertas magníficas no ramo de gás e petróleo.
Tiro os sapatos e ando sobre o apartamento limpo, suspiro por ter chego em casa por mais um dia de trabalho, vou ao bar e sirvo uma pequena dose de whisky e me dirijo a janela que me concedia uma vista panorâmica das dimensões que as luzes da cidade concediam aos meus olhos, suspiro e percebo que tinha tudo o que sempre sonhei: dinheiro, mulheres e fama. Mas isso era o suficiente para me manter eternamente feliz?
Aperto o botão vermelho que piscava na minha secretaria eletrônica.
-Oi, aqui é Robert Moraes, não posso atender no momento, deixe seu recado que retornarei assim que possível.
-Oi aqui é Leslie, a noite ontem foi maravilhosa, estava pensando...
Nem escuto o resto, estava cansado demais para ouvir falatórios. Depois de cinco mensagens entediantes que alternava entre mulheres e negócios, a última me chamou a atenção.
-Oi, aqui é do Instituto Acadêmico Desiderato, estou informando a todos os alunos de 1995 para comparecerem a festa de ex-alunos comemorando os 150 anos da instituição, sua presença será muito importante, por favor entre em contato conosco para mais informações, obrigada.
Apesar do tempo, a idéia de revê-la era excitante, um pouco do sentimento de vingança pulsava dentro de minha cabeça, mas era minúsculo perto da curiosidade de ver como ela estava, de poder sentir seu cheiro novamente, ver seu sorriso magnífico e sua risada estridente quando era ela mesma, sem interpretações.
Os dias iam transcorrendo, apesar de ser um homem maduro, me sentia como um adolescente novamente, com as oscilações temperamentais e os constantes picos de ansiedade. Mas se ela não fosse? Tudo teria sido em vão? Mas decidi arriscar, era bom em investimentos, por que não iria acertar dessa vez?
A decoração do ginásio me concedia uma nostalgia, colocar o pé novamente no lugar que originou grande terror na minha adolescência foi um ato que necessitou de extrema superação de meus limites, mas dessa vez era diferente, eu não era mais um perdedor.
Com a ansiedade tinha chegado adiantado, não era acostumado a freqüentar festas do colegial. À medida que as pessoas iam se aglomerando minha necessidade de vê-la ia crescendo, talvez minha obsessão não tivesse acabado, apenas sido enterrada.
Ia revendo algumas pessoas, mas poucas eram a que lembrada de mim, muitas mulheres vinham me conhecer e tentar lembrar se eu estudava com elas, mas todas eram desinteressantes, eu desejava apenas uma, e na maioria das vezes eu tinha o que queria.
Depois de quase desistir, olhei para um crachá de uma mulher a alguns metros de distancia.  Mariana Carvalhes, o mesmo nome que me fizera ficar sem ar só de escutar. As madeixas loiras agora eram um castanho natural, se encontrava em um vestido menos chamativo que o costume, mas nem por isso menos bonito, os anos se passaram, mas tinha um efeito contrário a ela, parecia tê-la deixado ainda mais atraente, como um vinho envelhecido.
Me aproximo ensaiando as palavras na mente, sem me importar com a roda de pessoas que estavam em volta dela (seu imã parecia estar intacto e ainda mais potente)

 Continua...

                                        Juliana Santiago

sábado, 26 de março de 2011

Irresistível X Invisível

             
Irresistível. Esse era um forte adjetivo para descrever Mariana, ela era o modelo de mulher que todo homem de bom gosto desejava ter um dia. Era linda, engraçada e popular, tinha tudo em suas mãos, dinheiro, poder e submissão das pessoas e adorava lembrar que era um pedacinho do centro do universo.
Invisível. Esse era o meu adjetivo. Eu era apenas mais um no mundo, eu vivia mais ninguém percebia meu valor, sonhava com muitos ideais e nutria todos eles com o desprezo das pessoas, lutando para um dia provar a eles que estavam enganados a respeito de mim, mas na verdade eu queria provar a mim mesmo sobre a minha existência.
Ela estava longe, era hora do recreio, estava com seu “bando”, ela agia como rainha da alcatéia. Seus passos firmes tiravam a atenção de qualquer mero mortal, era parecia ter um imã para que tudo conspirasse ao seu favor.
Há anos eu ensaiava falar com ela, mas nunca tinha coragem. Paixão obsessiva e platônica, eu era capaz de dar minha vida por alguém que nem sabia meu nome. Quando estava perto dela desviei a direção, andar sobre as águas era mais provável que ela me dar atenção.
Um bip no alarme de seu carro conversível, eu estava do lado com meu carro da classe econômica, estava observando cada movimento dela, absorvendo cada detalhe que nutrisse mais tarde minha frenéticas fantasias.
-Ei.
Ela dirige a palavra para mim, demoro alguns segundos para cair na real.
-Eu?
-Sim. Você pode tirar seu carro, esta muito perto do meu, tenho medo de bater.
Ela fala com um sorriso alvíssimo, com certeza rindo de minha insanidade.
-Claro.
-Obrigada Robert.
-Você sabe o meu nome?
Ela da uma gargalhada estridente que ecoa pelo estacionamento.
-É claro, você estuda comigo há anos! E é de você que sempre pego cola nas provas de matemática, filosofia e química.
-É verdade.
-Agora você poderia tirar seu carro, por favor?
Estagnado em suas palavras tinha me esquecido de seu pedido inicial.
-Ok.
          -Obrigada.
Em dois minutos de conversa parecia que minha vida inteira tinha valido à pena, que talvez eu tivesse algum valor para ela.
No outro dia, estava excitado com a idéia de começar uma relação solida com ela, nem que fosse a amizade, um pretexto para tê-la por perto.
Avisto-a de longe. Estava em pé conversando eufórica com suas amigas, com a pose intacta ela esbanja sedução.
-Oi.
Me aproximo desconcertado, aquela palavra de duas letras tinha sido ensaiada varias vezes na noite anterior.
Ela olha para mim indiferente.
-O que você quer?
Toda a delicadeza do dia anterior tinha se esvaído.
-Hãm, lembra o Robert do carro?
Tento me iludir que ela apenas esqueceu de mim, que com uma dica ela lembraria.
-Não.
Ela mente descaradamente, suas amigas começam a rir, sinto certa piedade no fundo de seus olhos, mas ela precisava provar que nunca falara comigo.
-Você pediu para eu tirar o carro. A gente conversou...
Ela ri impiedosamente.
-Você cheirou? Eu nunca te vi garoto! Deve ser mais um daqueles que sonham que falaram comigo e pensam que é realidade.
Todas caem na gargalhada, eu abaixo minha cabeça e saio humilhado. Diferente do clichê de me fazer de coitado eu decido fazer diferente, esquecer todo o passado perdedor e entrar em uma nova era, aquela em que não seria mais um, mas o único.

 Continua (...)

                                  Juliana Santiago                       

sexta-feira, 4 de março de 2011

Recomeço de uma historia sem fim


-Cara, você não tem noção mesmo de tudo que eu sacrifiquei para estar do seu lado?- Marina tinha seu próprio jeito de amar, diferente e bruto, mas nem por isso menos verdadeiro. – Eu nunca fiz questão de estar mais que alguns meses com alguém e com você eu estou há dois anos!
-Eu sei gata, eu também gostei de estar muito ao seu lado, mas agora eu quero seguir minha vida. – Rogério era ainda menos insensível, ele decidia e pronto.
-E por quê? Eu fiz algo de errado?- ela estava confusa tentava procurar algum erro em sua trajetória de relacionamento, mas ela ainda não tinha aprendido que nem tudo é nossa culpa?
-Nada amor! Você foi a melhor coisa que me aconteceu esses tempos, mas eu quero viver tudo que eu perdi, me desculpe Máh, eu nunca quis te ver sofrer mas eu não posso renegar minhas vontades para fazê-la feliz se eu  não vou ser.
-Tudo bem, se é assim que você quer.-  sua frieza era monstra, ela queria demonstrar que aquilo não afetaria sua vida, mas ela enganava os outros porque por dentro ela estava morrendo. Ele da o ultimo beijo, daqueles que fazem uma vida inteira valer á pena, sai porta a fora com a promessa de nunca mais voltar atrás, ela senta no sofá e procura algum motivo para viver, não encontra. Mas apesar da dor, ela ficaria bem, lutaria para que isso acontecesse, com seu jeito bruto de gostar de alguém, ela não se lamentava porque tudo que ela queria ter feito ela fez, não deixou nada para depois, com esse pensamento um sorriso brota em seus lábios apesar dessa não ser a atitude de uma pessoa normal, mas tudo bem, ela não seguia esse parâmetro.
                                               Juliana Santiago

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ele tinha um céu, mas não era azul.

  
Ele amava, sorria das piadas bobas que faziam, corria na chuva como criança, sentia o sol esquentar sua face, mas como qualquer outro ser humano, fazia essas coisas passarem despercebidas.
O frio do ar-condicionado continuava presente, suas costas doíam, suas pernas estavam cheias de bolhas por ficar tanto tempo na mesma posição, ele olha com o canto de olho para a janela, o sol raiava forte lá fora, ele imagina o calor preenchendo sua pele, aqueles momentos que  ele só tinha na memória.
As lagrimas caíram por sua face, era assim todo dia, cada hora era mais sessenta minutos de tortura preso naquela cama.
Os flashes dos gritos passavam incansavelmente em sua mente desocupada. O carro cheio de alegria, sorrisos e falatórios, a noiva estava ali do seu lado, sorrindo e conversando alto com as amigas.
-Henrique, olha para trás. – Vitória, sua irmã fala alegre.
-Não posso, estou dirigindo. – ele dá um sorriso de responsável.
-Só uma foto. – três palavras que sentenciariam seu destino.
Ele olha e sorri para a máquina, um fleche forte batido no escuro ardeu em suas pupilas, ele olha para frente com os olhos fechados para a rua.
-Henrique! – Gabi, sua noiva, grita em um relance.
Seus olhos voltam ao normal, um clarão aumenta na sua frente, como instinto ele gira o volante, tarde demais, em uma fração de segundo tudo se resume a grito e a cabeça girando em vários golpes junto com o carro.
Morte. A única palavra que passava por sua cabeça, ele não enxergava mais nenhum motivo de viver.
-Desculpe. – o médico falou assim que ele acordou do coma, três semanas depois do acidente. – Ninguém resistiu aos ferimentos.
Ninguém, exceto ele, o peso da culpa era um fardo quase insuportável, o preço a ser pago foi alto: ele não se moveria nunca mais, sua coluna não o sustentaria em pé, o único movimento que ele fazia era mexer levemente a cabeça de um lado para o outro. Era prisioneiro de suas limitações.
Ele  volta a realidade e olha para seu amigo que se encontrava assistindo televisão, é muito chato ser acompanhante de um semi vegetal.
-Bruno. – ele chama com a voz fraca. – Se eu te pedisse um favor, você faria?
-Claro Henrique pode falar. – seu amigo que sempre esteve presente poderia ser o meio do fim de seu sofrimento.
-Existe um componente químico chamado cianureto, você colocará em um copo com um canudo e eu tomarei até o ultimo gole, antes disso farei um depoimento gravando minha vontade para não incriminar ninguém. – ele fala decidido em cometer eutanásia.
-Você ficou doido Henrique? Eu não vou matar você. – Bruno fala em desespero pelo que acabar de ouvir.
-Você não vai me matar, eu que chuparei o conteúdo do canudo.
-Não conte comigo, não posso levar o peso de seu sangue em minhas mãos. – Bruno declara em um veredicto final. Henrique o conhecia e sabia que ele não o ajudaria.
Ele se cala, e finge ter desistido da idéia, duas semanas depois a enfermeira entra no apartamento e volta desesperada para avisar o doutor plantonista.
O sangue estava recobrindo todo seu corpo, ele mordeu sua língua, a arrancou ate que o levasse a morte,  a única maneira que ele encontrou de ter paz, sem que a culpa e sua dor o levassem a loucura. O cansaço de tentar o fez desistir.
Com os olhos fechados ele parecia adormecido;
Tranqüilo;
E com um pouco de paz.

Juliana Santiago

P.S: Em uma aula de religião o debate sobre eutanásia rolou solto, e foi a inspiração para esse conto. Eu sou contra a eutanásia, pois como sou cristã, a considero suicídio e portanto um pecado, tirando ate seu direito de salvação. Dei minha opinião, quem quiser pode dar a sua também, vamos debater sobre um assunto tão polemico, visto de diversas facetas. Bjin :*